ANPT participa de reunião com entidades nacionais para discutir impactos da Convenção 193 da OIT no julgamento do Tema 1291 do STF

ANPT participa de reunião com entidades nacionais para discutir impactos da Convenção 193 da OIT no julgamento do Tema 1291 do STF

A presidenta da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), Adriana Augusta de Moura Souza, e o vice-presidente, Marcelo Crisanto Souto Maior, participaram nesta quinta-feira (19) de reunião com representantes da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e da Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista (ABRAT). O foco do encontrou foi discutir as implicações da recém-aprovada Convenção 193, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre o julgamento do Tema 1291 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pautado para o próximo dia 24 de junho.

Também participaram do encontro o presidente da Anamatra, Valter Pugliese, a presidenta da ABRAT, Elise Correia, e a diretora de Prerrogativas e Assuntos Jurídicos da Anamatra, Patrícia Sant'Anna.

A reunião ocorreu em um momento de grande relevância para o mundo do trabalho. Na última semana, durante a 113ª Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, os Estados-membros da OIT aprovaram a Convenção 193, considerada um marco na proteção de trabalhadores e trabalhadoras que atuam por meio de plataformas digitais. O instrumento estabelece parâmetros internacionais voltados à promoção do trabalho decente nesse setor, contemplando temas como proteção social, saúde e segurança no trabalho, transparência na gestão algorítmica, proteção de dados e respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores.

Durante o encontro, os representantes das entidades analisaram os possíveis reflexos da nova norma internacional sobre o julgamento do Tema 1291, que possui repercussão geral reconhecida pelo STF e trata da possibilidade de reconhecimento de vínculo empregatício entre trabalhadores de plataformas digitais e empresas responsáveis pela intermediação dos serviços. A decisão da Suprema Corte deverá servir de referência para milhares de processos em tramitação no país e poderá influenciar significativamente o tratamento jurídico das relações de trabalho mediadas por plataformas digitais.

Para a presidenta da ANPT, aprovação da Convenção 193 evidencia o avanço da comunidade internacional na construção de parâmetros de proteção para trabalhadores inseridos na economia de plataformas e reforça a importância de que o debate jurídico considere os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito do sistema normativo da OIT. “A proteção dos trabalhadores e das trabalhadoras de plataformas digitais deixou de ser uma preocupação isolada de alguns países e passou a integrar a agenda internacional do trabalho. Trata-se de um importante referencial para a construção de soluções que conciliem inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e garantia de direitos fundamentais”, afirmou Adriana Augusta.