A solenidade de ratificação da posse da nova diretoria da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho marcou, na noite desta terça-feira (27), o início do novo biênio de gestão da entidade. A procuradora regional do Trabalho Adriana Augusta de Moura Souza foi reconduzida à presidência da associação, ao lado do procurador do Trabalho Marcelo Crisanto Souto Maior, vice-presidente da ANPT para o período 2026/2028.
Durante o discurso de posse, Adriana Augusta relembrou a trajetória histórica da ANPT, fundada em 1979, ainda durante o regime militar, e destacou o papel da associação na defesa das prerrogativas da carreira e da Justiça Social. Segundo a presidenta, o enfrentamento das desigualdades, da discriminação e da precarização das relações de trabalho segue como uma das principais diretrizes da atuação institucional da entidade.
A presidenta também abordou os impactos das transformações tecnológicas no mundo do trabalho e os desafios impostos pelas novas formas de organização produtiva. “Vivemos um tempo de transformações profundas. Algoritmos administrando ritmos, metas e silêncios. Plataformas, big techs e redes neurais prometem liberdade e inovação enquanto deslocam responsabilidades e agravam o desamparo daqueles sem acesso ao novo mundo de aparentes oportunidades”, afirmou.
Ao fazer um balanço da gestão anterior, a procuradora ressaltou a atuação da associação junto ao Congresso Nacional, ao Conselho Nacional do Ministério Público e a órgãos do sistema de Justiça na defesa das prerrogativas da carreira e do serviço público. Ela também enfatizou o caráter coletivo da atuação associativa e agradeceu à diretoria, aos empregados da entidade, familiares e colegas de carreira pelo apoio durante os últimos dois anos.
“Na minha caminhada por estes dois anos na presidência da ANPT, reafirmei a máxima das relações humanas: não estamos sós e não fazemos nada sozinhos”, declarou. Em outro momento do discurso, a presidenta defendeu a valorização das carreiras do sistema de Justiça e criticou ataques dirigidos ao Ministério Público e à magistratura destacando que a crítica às instituições do sistema de justiça deve ser fundamentada em dados concretos e análises rigorosas, evitando a simplificação e a distorção.
“Somos procuradores e procuradoras que trabalhamos com seriedade, honradez e respeito ao erário. Não aceitamos qualquer menção pejorativa para atacar nossos salários. Renovo, portanto, e mais do que nunca, o compromisso de lutar de forma intransigente pela manutenção de garantias de nossa lei complementar, da simetria com a magistratura, aliada à gestão eficiente de nossa associação para alçá-la ao patamar de protagonista das pautas mais pulsantes e contemporâneas do cenário político-institucional”, ressaltou.
O procurador-geral do Trabalho, Glaucio Araújo de Oliveira, ressaltou a importância da parceria entre a instituição e a ANPT. “A atuação conjunta da ANPT e da Procuradoria-Geral do Trabalho simboliza a convergência de esforços em defesa das prerrogativas da carreira, do fortalecimento institucional do Ministério Público do Trabalho e da promoção dos direitos sociais,” disse.
Representando, na ocasião, os procuradores-chefes e as procuradoras-chefas do Ministério Público do Trabalho em todo o país, a procuradora-chefa do MPT no Distrito Federal e Tocantins, Dalliana Villar Pereira, destacou a importância da união entre as instituições do sistema de Justiça, entidades representativas e sociedade para o fortalecimento da democracia e dos direitos sociais. Segundo ela, o diálogo interinstitucional e a construção coletiva são fundamentais para garantir relações de trabalho mais equilibradas.
Dalliana também ressaltou a relevância histórica da ANPT, que completa 47 anos de atuação. “A ANPT tem se consolidado nos seus 47 anos de fundação como uma relevantíssima entidade representativa de classe que ocupa um espaço político e institucional respeitável perante a comunidade jurídica e política”, disse.
Compuseram a mesa de honra da solenidade de posse, além da presidenta da ANPT, o procurador-geral do Trabalho e da procuradora-chefa do MPT/DF-TO, o conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público José de Lima Ramos Pereira, titular da cadeira reservada ao MPT naquela colegiado, representando os demais conselheiros e conselheiras do CNMP; o presidente da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Valter Pugliese; e a presidenta da Associação Brasileira da Advocacia Trabalhista, Elise Correia.
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