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Transformações no mundo do trabalho ainda não garantem igualdade para as mulheres, destaca presidenta da ANPT

Transformações no mundo do trabalho ainda não garantem igualdade para as mulheres, destaca presidenta da ANPT

As mudanças no mundo do trabalho podem até criar novas oportunidades, mas ainda não garantem condições iguais para homens e mulheres. Esse foi um dos pontos centrais da participação da presidenta da Associação Nacional dos Procuradores e das Procuradoras do Trabalho (ANPT), Adriana Augusta de Moura Souza, na Conferência Internacional: Mulheres que Movem a Justiça, realizada nesta quinta-feira (5), em Brasília.

A procuradora integrou o painel “Transformações no Mundo do Trabalho e Justiça Social”, em um formato de diálogo conduzido por perguntas da mediação e do público. Durante a conversa, abordou a desigualdade na distribuição das responsabilidades domésticas e familiares, a precarização das relações de trabalho e os impactos de novas tecnologias.

Ao responder sobre os efeitos da pejotização e da plataformização para as mulheres, especialmente as mulheres negras, Adriana Souza explicou que a contratação por pessoa jurídica não é, por si só, irregular. A fraude ocorre quando esse modelo é utilizado para encobrir uma relação de emprego, na qual estão presentes elementos como subordinação, habitualidade e remuneração, mas sem o reconhecimento dos direitos trabalhistas.

A presidenta também destacou que as exigências de metas e produtividade das plataformas podem dificultar a participação feminina nessas atividades, uma vez que as mulheres ainda concentram grande parte das responsabilidades com a casa e os filhos.

Outro tema de destaque foi a divisão desigual do trabalho de cuidado. Ao discutir a redução da jornada de trabalho, Adriana Augusta ressaltou que a conquista precisa ser acompanhada de mudanças na distribuição das tarefas domésticas. Segundo dados da PNAD/IBGE mencionados por ela, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e de cuidado, enquanto os homens 11 horas. Nesse sentido, alertou que a ampliação do tempo livre pode não representar, necessariamente, mais descanso e lazer para as mulheres, caso elas continuem sendo as principais responsáveis pelo cuidado familiar.

“Não duvidem, o capitalismo, o mercado, as atividades econômicas sempre vão pressupor alguém cuidando dos filhos e da casa. E, culturalmente, no nosso país, isso cabe culturalmente às mulheres, como típica atividade feminina de cuidado, e invisibilizada. Então, a plataformização e a pejotização podem interferir negativamente nas mulheres, sob esse ponto de vista”, destacou.

A inteligência artificial também esteve entre os assuntos abordados. A partir dos dados do IBGE, a presidenta discutiu como sistemas automatizados podem reproduzir preconceitos e desigualdades históricas, mesmo quando suas decisões aparentam neutralidade. Como caminhos para enfrentar o problema, enfatizou a necessidade de transparência, auditoria, supervisão humana e responsabilização.

Ao longo do painel, a procuradora reforçou que a igualdade de oportunidades não depende apenas do acesso formal ao mercado de trabalho, mas também das condições materiais para que as mulheres desenvolvam suas carreiras, ocupem espaços de decisão e tenham seus direitos garantidos.

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